Por mais de um século, a Coca-Cola é sinônimo de Natal: Papai Noel, ursos polares, trenós e, claro, os caminhões vermelhos repletos de magia fazem parte do imaginário popular graças às campanhas da marca. Mas, recentemente, essa tradição passou por uma verdadeira revolução e a responsável por isso atende pelas iniciais I.A.
No último ano, a gigante do refrigerante apostou pesado em inteligência artificial para criar seu comercial natalino, apostando na eficiência e na redução de custos: foi mais rápido, mais barato e, surpreendentemente, parte do trabalho ficou por conta de apenas cinco profissionais que comandaram prompts capazes de gerar milhares de cenas automaticamente. O resultado foi curioso e chamou atenção dentro e fora da indústria publicitária.
Nem todos ficaram satisfeitos. A repercussão não demorou, especialmente entre consumidores atentos e especialistas que não perdoaram algumas falhas visuais típicas da IA. Houve quem reparasse, por exemplo, nas diferenças sutis no famoso caminhão vermelho a cada frame ou ainda em jaquetas de esquilos com botões dos dois lados. A tentativa da Coca-Cola de mostrar bastidores e enaltecer o papel dos humanos na criação também enfrentou críticas, já que o making of… também foi produzido com algoritmos e apresentava inconsistências visuais.
O avanço da IA na publicidade faz parte de uma estratégia ampla: a Coca-Cola foi uma das primeiras multinacionais a criar um cargo executivo global dedicado exclusivamente ao tema, colocando Pratik Thakar (ex-Fast Company) à frente da área de IA generativa no marketing.
Enquanto alguns consumidores ainda não se sentem totalmente confortáveis com anúncios criados por inteligência artificial – a aprovação caiu de 49% para 46% em um ano -, as marcas parecem cada vez mais convencidas do potencial dessa tecnologia. Em 2024, cerca de 22% dos comerciais utilizaram IA. Em 2025, esse número chegou a 30% e, para 2026, a expectativa é alcançar 39%.
O Natal da Coca-Cola pode até não ser mais produzido apenas por artistas humanos, mas reflete o tempo em que vivemos: algoritmos criam experiências, constroem imagens nostálgicas e levantam debates sobre autenticidade e inovação. Ao que tudo indica, os próximos comerciais que cruzarem nossas telas terão, sim, um sabor cada vez mais digital mesmo que ainda misturado a doses generosas de emoção, tradição e, quem sabe, alguns deslizes artificiais.