Setembro Amarelo é o principal movimento mundial de conscientização e prevenção ao suicídio. No Brasil, essa campanha tem ganhado cada vez mais destaque, principalmente quando se fala da necessidade de ampliar o cuidado com a saúde mental no ambiente de trabalho.
Com dados alarmantes indicando que cerca de 45 pessoas tiram a própria vida todos os dias no país, segundo o Atlas da Violência do IPEA, o tema é urgente e precisa ser discutido em todos os setores da sociedade, especialmente nas organizações e empresas.
Por que falar de saúde mental no trabalho?
O ambiente de trabalho pode ser fonte de realização pessoal e profissional, mas também pode gerar sofrimento quando marcado por práticas abusivas, assédio moral, discriminação e condições de trabalho precárias. Dados recentes mostram que transtornos mentais relacionados ao trabalho estão entre as principais causas de afastamento e adoecimento, e esse cenário vem se agravando: apenas no primeiro trimestre de 2025, os afastamentos por questões de saúde mental cresceram 28% em relação ao ano anterior.
Esses números revelam uma crise silenciosa que afeta diretamente a produtividade, a qualidade de vida dos trabalhadores, e impacta financeiramente as empresas. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), depressão e ansiedade custam à economia global cerca de US$ 1 trilhão por ano em perda de produtividade.
A Cartilha Amarela do Ministério do Trabalho e Emprego
Neste contexto, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) lançou em setembro de 2025 a Cartilha Amarela – Prevenção e combate ao assédio, a outras formas de violências e ao suicídio relacionado ao trabalho. Essa iniciativa faz parte da campanha Setembro Amarelo e reforça que o trabalho deve ser um espaço de dignidade e segurança e não de sofrimento.
A Cartilha Amarela alerta para os impactos nocivos das práticas abusivas e ambientes hostis na saúde mental dos trabalhadores. Ela aborda tipos de assédios (moral, sexual, político-eleitoral e virtual) e destaca como esses abusos podem levar à queda de produtividade, adoecimento e até suicídio. Além disso, oferece orientações para trabalhadores, empregadores e sociedade sobre prevenção, direitos, canais de denúncia e estratégias de criação de ambientes laborais saudáveis.
A importância de iniciativas internas e Canais de Denúncia
Além de campanhas nacionais como o Setembro Amarelo, é fundamental que as empresas adotem ações internas que promovam a cultura do cuidado, da observação e da acolhida. Criar e divulgar canais internos de denúncia é uma das estratégias mais eficazes para prevenir abusos, proteger os trabalhadores e preservar a saúde mental coletiva.
Quando as pessoas se sentem seguras para denunciar assédios e outras violências, é possível interromper ciclos de sofrimento e evitar consequências graves, como o adoecimento e o suicídio. Canais de denúncia como o da pollvo garantem confidencialidade, acolhimento e medidas efetivas para combater qualquer violação no ambiente de trabalho.
Compromisso com a vida e o bem-estar no trabalho
Setembro Amarelo é um momento para reforçar o compromisso com a valorização da vida em todas as esferas. No ambiente corporativo, isso significa adotar uma postura proativa para transformar culturas organizacionais, promovendo a saúde mental como prioridade contínua.
Cuidar da saúde mental no trabalho não é apenas uma questão humana, mas também um investimento em sustentabilidade, produtividade e qualidade de vida. Por isso, incentivar o diálogo aberto, oferecer apoio e fortalecer canais de denúncia são passos essenciais para construir ambientes seguros e respeitosos, onde o trabalho seja fonte de realização, não de sofrimento.
Para quem atua em empresas e organizações, este é o momento de agir com responsabilidade social, aderindo às práticas recomendadas pela Cartilha Amarela e valorizando iniciativas que colocam as pessoas em primeiro lugar como o Canal de Denúncias.